Osteopatia Crânio-Mandibular

RELATO DE CASO
Trata-se de uma desordem proliferativa, não neoplásica de cães que afeta principalmente os ossos do crânio e mandíbula.
As lesões podem ainda envolver os óssos occipitais, parietais, frontais e maxilares e ocasionalmente produz reação periostal nos ossos longos.

Também é conhecida como osteodistrofia têmporo-mandibular ou periostite mandibular.

É uma enfermidade de etiologia desconhecida, que afeta principalmente raças terriers, especialmente West Highland White Terrier, Scotish e Cairn Terriers, mas, tem sido descrita em outras raças como, Labrador, Doberman, Pastor Alemão e Boxer. É relatada como uma característica autossômica recessiva no West Highland White Terrier e com provável predisposição hereditária em outras raças.
Animais afetados geralmente apresentam sinais clínicos a partir dos 3 meses de idade, que mostram aumento dos ramos da mandíbula, dificuldade de apreensão dos alimentos, sialorréia e dor ao abrir a boca, podendo ser acompanhada de febre, durante todo o processo proliferativo, linfadenopatia e atrofia muscular temporal.
A doença é auto-limitante com regressão dos sinais clínicos. A proliferação óssea geralmente diminui após os animais completarem 08 meses de idade, contudo, as alterações radiográficas permanecem e as funções de apreensão e mastigação dos alimentos podem continuar prejudicadas.
De acordo com POOL e LEIGHTON, a reabsorção óssea e proliferação osteoblástica resultam num quadro histológico característico de deposição do osso fibroso, que acaba por se tornar permanente.
As lesões da osteopatia crânio-mandibular no esqueleto apendicular podem aparecer radiograficamente semelhantes à osteodistrofia hipertrófica. Síndrome semelhante envolvendo as áreas frontais (hiperosteose cranial) tem sido descrita em Bull Mastiff. A biópsia óssea pode diferenciar o diagnóstico de uma lesão neoplásica unilateral, especialmente quando o animal não for terrier.
O prognóstico é ruim para os cães com evidências radiográficas de anquilose parcial ou completa das articulações têmporo-mandibulares.
Não existe nenhum tratamento específico para a osteopatia crânio-mandibular, porém à medida que a afecção estabiliza-se, os animais apresentam dificuldade de apreensão e mastigação, mas são capazes de manter seu estado nutricional normal. Segundo POOL, a intervenção cirúrgica para reduzir a massa óssea e aumentar a movimentação da boca proposta não é muito benéfica.
ASPECTOS RADIOGRÁFICOS:
As alterações radiográficas geralmente são bilaterais. As mudanças proliferativas são irregulares e de aspecto áspero, envolvendo quase sempre a mandíbula. Geralmente origina se perto do processo angular da mandíbula, região timpânica, porção petrosa do osso temporal do crânio e ocasionalmente nos ossos parietais, frontais e maxilares.
CASO CLÍNICO:
Canina, Scottish Terrier, Macho, 06 meses.
Sinais clínicos:
Diminuição da dimensão vertical da boca, sialorréia e crepitação em região da articulação têmporo-mandibular bilateralmente.
Laudo radiográfico: Radiografias em projeções latero-lateral (decúbito lateral direito e esquerdo) e dorso-ventral demonstraram:
- Presença de proliferação periostal exuberante em correspondência à porção rostral dos ramos mandibulares e bulas timpânicas, mais acentuada do lado esquerdo.
- Imagem radiográfica sugere preservação das relações articulares das têmporo-mandibulares e da sínfise mentoniana.
Diagnóstico:
Osteopatia Crânio-Mandibular.
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS:
-          Owens, J.M.; Biery, D.N. Radiographic Interpretation for the Small Animal Clinician, 2º ed., Willians and Wilkins, p. 112, 1998.
-          Thrall, D. E. Textbook of Veterinary Diagnostic Radiology, 4º ed., Saunders,   p. 83, 2002.
-          Pool, R.P., Leighton, R.L. Craniomandibular Osteopathy. J.A.V.M.A., nº 154, p. 657, 1969
Texto enviado pelo Setor de Radiodiagnóstico do IVI – Instituto Veterinário de Imagem

OSTEOPATIA CRÂNIO-MANDIBULARRELATO DE CASO Trata-se de uma desordem proliferativa, não neoplásica de cães que afeta principalmente os ossos do crânio e mandíbula. As lesões podem ainda envolver os óssos occipitais, parietais, frontais e maxilares e ocasionalmente produz reação periostal nos ossos longos. Também é conhecida como osteodistrofia têmporo-mandibular ou periostite mandibular.É uma enfermidade de etiologia desconhecida, que afeta principalmente raças terriers, especialmente West Highland White Terrier, Scotish e Cairn Terriers, mas, tem sido descrita em outras raças como, Labrador, Doberman, Pastor Alemão e Boxer. É relatada como uma característica autossômica recessiva no West Highland White Terrier e com provável predisposição hereditária em outras raças.Animais afetados geralmente apresentam sinais clínicos a partir dos 3 meses de idade, que mostram aumento dos ramos da mandíbula, dificuldade de apreensão dos alimentos, sialorréia e dor ao abrir a boca, podendo ser acompanhada de febre, durante todo o processo proliferativo, linfadenopatia e atrofia muscular temporal.A doença é auto-limitante com regressão dos sinais clínicos. A proliferação óssea geralmente diminui após os animais completarem 08 meses de idade, contudo, as alterações radiográficas permanecem e as funções de apreensão e mastigação dos alimentos podem continuar prejudicadas.De acordo com POOL e LEIGHTON, a reabsorção óssea e proliferação osteoblástica resultam num quadro histológico característico de deposição do osso fibroso, que acaba por se tornar permanente.As lesões da osteopatia crânio-mandibular no esqueleto apendicular podem aparecer radiograficamente semelhantes à osteodistrofia hipertrófica. Síndrome semelhante envolvendo as áreas frontais (hiperosteose cranial) tem sido descrita em Bull Mastiff. A biópsia óssea pode diferenciar o diagnóstico de uma lesão neoplásica unilateral, especialmente quando o animal não for terrier. O prognóstico é ruim para os cães com evidências radiográficas de anquilose parcial ou completa das articulações têmporo-mandibulares.Não existe nenhum tratamento específico para a osteopatia crânio-mandibular, porém à medida que a afecção estabiliza-se, os animais apresentam dificuldade de apreensão e mastigação, mas são capazes de manter seu estado nutricional normal. Segundo POOL, a intervenção cirúrgica para reduzir a massa óssea e aumentar a movimentação da boca proposta não é muito benéfica. ASPECTOS RADIOGRÁFICOS:As alterações radiográficas geralmente são bilaterais. As mudanças proliferativas são irregulares e de aspecto áspero, envolvendo quase sempre a mandíbula. Geralmente origina se perto do processo angular da mandíbula, região timpânica, porção petrosa do osso temporal do crânio e ocasionalmente nos ossos parietais, frontais e maxilares.

CASO CLÍNICO:Canina, Scottish Terrier, Macho, 06 meses.

Sinais clínicos:Diminuição da dimensão vertical da boca, sialorréia e crepitação em região da articulação têmporo-mandibular bilateralmente.Laudo radiográfico: Radiografias em projeções latero-lateral (decúbito lateral direito e esquerdo) e dorso-ventral demonstraram:- Presença de proliferação periostal exuberante em correspondência à porção rostral dos ramos mandibulares e bulas timpânicas, mais acentuada do lado esquerdo.- Imagem radiográfica sugere preservação das relações articulares das têmporo-mandibulares e da sínfise mentoniana.Diagnóstico:Osteopatia Crânio-Mandibular.

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS:-          Owens, J.M.; Biery, D.N. Radiographic Interpretation for the Small Animal Clinician, 2º ed., Willians and Wilkins, p. 112, 1998.-          Thrall, D. E. Textbook of Veterinary Diagnostic Radiology, 4º ed., Saunders,   p. 83, 2002.-          Pool, R.P., Leighton, R.L. Craniomandibular Osteopathy. J.A.V.M.A., nº 154, p. 657, 1969

Texto enviado pelo Setor de Radiodiagnóstico do IVI – Instituto Veterinário de Imagem

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